Eu ainda não chorei.....


COMEÇOU...
Marcelo Gomes

O ano mal começou.

Um terremoto arrasou o Haiti. Milhares de mortos. Milhões de atingidos. O mundo mobiliza-se para socorrer sobreviventes e reconstruir o país. Desesperança, miséria e violência multiplicam-se pelas ruas. Uma tragédia descomunal.

O frio, no hemisfério norte, provocou caos e fez muitas vítimas, sobretudo na Europa. Em alguns lugares, a temperatura chegou a 30 graus negativos. Aeroportos fechados, estradas cobertas pela neve, paralisação. Inverno histórico.

Em Angola, a seleção de Togo, que participaria da Copa das Nações Africanas, sofreu um atentado à bomba que deixou três mortos. Outros atentados também deixaram mortos na Jordânia, no Iraque e no Afeganistão. Sangue nas ruas.

O ano apenas começou.

No Brasil, as chuvas fizeram vítimas nas regiões sul e sudeste. Parte de uma montanha desmoronou em Angra dos Reis (RJ), sobre casas e pousadas da encosta; São Luis do Paraitinga, cidade histórica do interior de São Paulo, foi destruída pela enchente; alguns bairros da Zona Leste da capital paulista ficaram dias debaixo d’água; e dezenas de cidades do interior do Rio Grande do Sul sofreram com as chuvas: uma ponte, sobre o rio Jacuí, em Agudo, foi levada pela força da correnteza, arrastando quem passava pelo local.

É... o ano começou.

A ameaça da dengue já está de volta.

O Big Brother Brasil já está de volta.

Presos da maior penitenciária paranaense, em Piraquara, se rebelaram. Fizeram quatro agentes de reféns e mataram outros três detentos. Casos de violência explodem em todo país. Um jovem foi arrastado por um carro conduzido por neo-nazistas. Uma mulher foi baleada durante um assalto na frente do filho. Um padrasto introduziu mais de quarenta agulhas no corpo de uma criança de dois anos. Isso tudo e muito mais...

Enfim... o ano já começou, mas eu ainda não chorei.

Talvez seja esta a maior tragédia de todas. Simplesmente não chorei. Nem por causa do terremoto, ou do frio, ou das chuvas, ou da violência, ou da porcaria toda que jogam sobre a gente todos os dias. Não tive vontade. Não tive lágrimas. Estaria indiferente? Estaria acostumado? Não é possível que nada disso me atinja profundamente...

O ano começou e preciso orar mais.

Importar-me mais.

Confiar mais em Deus.

Chorar mais por mim mesmo, meu pecado e minha tragédia pessoal. Chorar mais pelo mundo, sua fragilidade e necessidade de Deus. Chorar mais pela Igreja, ainda tão tímida na missão e tão egocêntrica na adoração. As lágrimas voltarão se eu orar de fato. Deus as fará voltar. Cumprirá a Palavra que diz: “bem-aventurados os que choram, pois serão consolados”.

Por enquanto, peço que esse consolo seja sobre todos quantos choram diante de tanta dor. Que conheçam Aquele que prometeu, um dia, enxugar de seus olhos toda a lágrima.

Pois, o ano está só começando...

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